Enraizada na Solidariedade: CIDSE no ICARRD+20 em Cartagena – CIDSE

Enraizada na Solidariedade: CIDSE no ICARRD+20 em Cartagena  

Na vibrante e colorida cidade de Cartagena, na Colômbia, algo poderoso começou. De 24 a 28 de fevereiro de 2026, a segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20) reuniu uma notável convergência de vozes, desde camponeses a povos indígenas, pescadores artesanais a pastores e trabalhadores rurais, todos unidos por uma convicção comum: a de que a justiça fundiária não é um ideal distante, mas uma necessidade urgente e concreta.  

Esta segunda edição testemunhou um renovado compromisso com um desafio persistente: o acesso e o controle sobre a terra e a soberania alimentar. Duas décadas depois, os debates não desapareceram; pelo contrário, aprofundaram-se. O controle sobre a terra e os territórios, a perda de biodiversidade, as alterações climáticas e os direitos das comunidades rurais continuam tão urgentes como sempre, estando os seus temas inseparavelmente interligados. 

A dimensão do encontro refletiu o quanto estava em jogo. O ICARRD+20 reuniu mais de 4,5 participantes de 102 países, concluindo com um declaração finalDefinindo um plano de ação e afirmando que a reforma agrária deve estar no centro de um futuro justo, resiliente e sustentável. 

O calor de Cartagena era mais do que apenas o clima. Era sentido no encontro de lutas e histórias, no alinhamento de reivindicações que surgiam da base, no reconhecimento de que as soluções para nossas crises ecológicas e sociais mais profundas já existem e estão sendo levadas adiante pelas comunidades que sempre viveram em uma relação direta e conectada com a terra. 

Sessão Plenária Final no ICARRD+20, 28 de fevereiro. Crédito: CIDSE.

Construindo pontes desde a base  

Antes mesmo do início oficial da conferência, o movimento já ganhava força. Quase 300 delegados de 70 países, organizados pelo Comitê Internacional de Planejamento para a Soberania Alimentar (IPC), reuniram-se para um fórum autônomo de dois dias, o Fórum de Movimentos Sociais, com o objetivo de unificar suas vozes. Eles vieram não apenas para expressar suas lutas, mas também para compartilhar as soluções que já estão implementando. Soluções para a perda de biodiversidade, para a erosão da diversidade de sementes e para a negação da soberania alimentar.  

A mensagem era clara e consistente: as respostas existem. Precisamos apenas ouvir — e nos reconectar com a Terra.   

Isso foi exatamente o que Membros importantes da AFSA e da SECAM testemunharam, durante uma visita de dois dias de aprendizagem e intercâmbio à comunidade indígena Zenú em San Andrés de Sotavento, as atividades realizadas.A comunidade Zenú, a primeira na Colômbia a declarar seu território como zona livre de transgênicos, compartilhou suas práticas de produção, conservação da biodiversidade e medidas de regeneração — um exemplo vivo de ecologia integral na prática e do que significa recuperar a terra, as sementes e a autodeterminação.  

Delegação da CIDSE, AFSA e SECAM na Comunidade Zenú, na Colômbia. Crédito: CIDSE.


Delegação da CIDSE em Cartagena Reuniu representantes do secretariado, organizações membros, parceiros e aliados com uma estratégia compartilhada: garantir que as vozes e as demandas das comunidades no terreno moldassem as conversas nos corredores do poder. 

Evento paralelo coorganizado pela AFSA, SECAM e CIDSE: “Proteger Nossa Terra, Restaurar Nosso Solo: Territorialidades Coletivas para a Justiça Fundiária e a Restauração Ecológica do Solo na África”. 
Jantar com membros, parceiros e aliados em Cartagena. Um momento de partilha e reflexão.
Evento paralelo organizado pela Broederlijk Delen e pelo CINEP “Defensores y defensoras de la tierra y la naturaleza” com representantes de comunidades locais, organizações internacionais e da sociedade civil.
Evento paralelo coorganizado pela Fastenaktion, CIDSE e parceiros: “Cuidando da Terra, Sustentando a Vida: Diversas Experiências Coletivas”. "Territorialidades" — com a participação de parceiros da Guatemala, Colômbia e África do Sul. 


Juntos, participamos de uma série de eventos paralelos, tanto dentro quanto fora do espaço oficial da conferência, trazendo à tona as experiências de parceiros que atuam na América Latina e na África, e estabelecendo conexões entre as práticas em campo, da Guatemala à África do Sul. 

Uma das contribuições mais marcantes da CIDSE foi trazer Atores da fé católica do Sul Global em engajamento significativo com a conferênciaUm jantar e um painel de discussão com representantes ministeriais e governamentais de alto nível da África do Sul, Alemanha e Brasil foram organizados em colaboração com a CELAM, a SECAM, os líderes católicos colombianos e o representante da Santa Sé na Colômbia. 

Conferência de imprensa: “Um clamor do Sul Global por uma reforma agrária integral” — lançamento oficial da mensagem do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho e da declaração das comunidades religiosas por ocasião do ICARRD+20. 
Evento paralelo oficial “Custodiantes do Território: Um Diálogo para Nossa Casa Comum e a Dignidade dos Povos”, organizado pela CIDSE em colaboração com a CELAM, a SECAM e a FABC, juntamente com representantes da Santa Sé e autoridades governamentais do Brasil, da Alemanha e da África do Sul.
Delegação da CIDSE com líderes católicos, representantes da Delegação da Santa Sé, CELAM, SECAM e líderes governamentais da África do Sul, Brasil e Alemanha no jantar oficial.


Juntamente com o Conselho Mundial de IgrejasAssociação Intercultural Laudato Si' (Luxemburgo)Caritas Internationalis e CELAM, A CIDSE também foi co-iniciadora de um movimento ecumênico declaração conjunta de adesãoAs três Conferências Episcopais da América Latina e do Caribe (CELAM), da África e Madagascar (SECAM) e a Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC) divulgaram um comunicado. declaração conjunta pós-ICARRD+20 Para orientar os atores católicos na defesa de direitos após a conferência, é necessário colocar os direitos à terra e as demandas dos movimentos sociais e populares em pauta nas próximas negociações climáticas globais. Ambas as declarações foram apresentadas na coletiva de imprensa “Um clamor do Sul Global por uma reforma agrária integral”.

Igualmente importante foi a ponte que a CIDSE ajudou a construir entre atores da Igreja e líderes de movimentos sociais, incluindo a Via Campesina e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Brasil. Essas alianças vão além de negociações formais — são relações enraizadas em valores compartilhados e um compromisso comum com a dignidade dos povos rurais. 

A CIDSE organizou um encontro com representantes da Igreja e de movimentos sociais que estão estabelecendo conexões em Cartagena. Crédito: CIDSE.


Em Cartagena, a CIDSE demonstrou que as comunidades religiosas não são meras espectadoras na luta pela justiça agrária. Elas são agentes, elo de ligação e defensoras. 


Um compromisso renovado  

A CIDSE deixou Cartagena com compromissos renovados: continuar a dar voz àqueles que estão na linha de frente das lutas por terra e alimentação, fortalecer as alianças construídas naqueles dias ensolarados e responsabilizar os governos pelas promessas feitas.  


Leitura complementar e recursos



Contactos:
Emmanuel Yap, Oficial de Políticas Alimentares e Fundiárias (yap(at)cidse.org) 
Anna Klein, Oficial de Comunicações (klein(at)cidse.org)  

Foto da capa: Delegação da CIDSE na ICARRD+20. Crédito: CIDSE.

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