Iniciativa de roteiro para a transição para combustíveis fósseis – CIDSE

Iniciativa de roteiro para a transição dos combustíveis fósseis

COMUNICADO DE IMPRENSA*

A CIDSE junta-se a mais de 100 organizações da sociedade civil que instam a presidência da COP30 a transformar o roteiro para a transição dos combustíveis fósseis num processo político real e inclusivo..

Carta aberta ao Presidente André Corrêa do Lago reúne grupos de todo o mundo e apela à transparência e a uma liderança baseada na ciência.

Brasília, 3 de fevereiro de 2026 – Seguindo o 12ª carta da Presidência da COP30, um grupo de 114 organizações da sociedade civil emitiu um carta aberta alertando que, sem um compromisso político mais forte e um processo genuinamente participativo, a iniciativa do roteiro liderado pela COP30 corre o risco de se tornar “mais um documento que acumula poeira”, em vez de um fator significativo para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.

A carta surge em meio a crescentes impactos climáticos e instabilidade geopolítica. Ela afirma que a credibilidade da ação climática global depende cada vez mais da capacidade dos governos de promover uma “redução justa e ordenada da produção e do consumo de combustíveis fósseis”. Entre os signatários estão grupos de justiça climática, indígenas, de direitos humanos, religiosos e comunitários.

Organizações enfatizam que a iniciativa do roteiro para os combustíveis fósseis, proposta pela Presidência da COP30, deve ir além de um exercício técnico. "Se algo ficou claro desde o início de 2026, é que os países precisam se libertar da volatilidade dos mercados de petróleo, que os expõem a riscos geopolíticos e a constantes oscilações de preços. Trata-se de um declínio controlado dos combustíveis fósseis e da oferta de energia justa e acessível."“Disse Andreas Sieber, chefe de estratégia política da 350.org, que coordenou a iniciativa da carta, juntamente com a rede brasileira Observatório do Clima. “Este roteiro representa uma oportunidade crucial para transformar os compromissos globais em ações concretas, em vez de apenas mais um documento guardado em uma prateleira."Disse Sieber."

Para gerar um impacto real, os signatários afirmam que o roteiro para a transição dos combustíveis fósseis deve ser transparente, cocriado e inclusivo, com participação significativa da sociedade civil, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e locais, e com a liderança conjunta do Brasil e dos países parceiros, principalmente da América Latina e do Pacífico.

“A presidência brasileira terminará em alguns meses, e precisamos de outros países ou grupos de países dispostos a dar continuidade a esse trabalho, já que este será necessariamente um processo de vários anos.””, disse Claudio Angelo, chefe de Política Internacional do Observatório do Clima. “Por isso, a corresponsabilidade pelo processo de elaboração do roteiro será crucial. O Brasil precisará equilibrar com muita atenção a necessidade de um documento que seja ousado e inclusivo ao mesmo tempo.. " 

A carta alerta que a dependência contínua de combustíveis fósseis expõe os países a choques de preços, conflitos e coerção, argumentando que uma transição baseada na ciência é essencial não apenas para as metas climáticas, mas também para a resiliência econômica e a estabilidade política. Além disso, solicita um roteiro para:

  • Possuem fortes salvaguardas contra os interesses estabelecidos dos combustíveis fósseis, incluindo a exclusão ou a limitação rigorosa dos insumos.
  • Garantir que os países desenvolvidos cumpram suas obrigações climáticas, incluindo o financiamento;
  • Abordar os impactos sobre os trabalhadores e as comunidades e garantir que os custos, benefícios e oportunidades da transição sejam distribuídos de forma justa entre os países e as comunidades.
  • mantiveram uma liderança ministerial sólida, uma forte prestação de contas democrática e salvaguardas dos direitos humanos.

"Os povos do Pacífico e da Amazônia celebraram o anúncio de um roteiro para nos levar a um futuro além dos combustíveis fósseis. Esperamos que a presidência da COP30 faça jus à aclamação que este roteiro lhe rendeu em novembro passado. Este ano nos mostrou que a meta de 1.5 grau está perigosamente ameaçada, e não podemos nos dar ao luxo de ter apenas mais um documento sem medidas concretas para a transição. Uma mudança tardia do carvão, petróleo e gás devastará o Pacífico, a Amazônia e inúmeras comunidades vulneráveis ​​em todo o mundo.“Disse Fenton Lutunatabua, Gerente de Programas da 350.org para o Pacífico e Caribe.”

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Observação:
*Este comunicado de imprensa foi originalmente publicado em 3 de março.rd Fevereiro de 2026 em Site 350.orgA iniciativa da carta foi coordenada por 350.org, juntamente com a rede brasileira Observatório do Clima.

Contato CIDSE: Lydia Lehlogonolo Machaka, Diretora de Energia e Extrativismo (machaka(at)cidse.org)

Foto de capaCOP30: Manifestantes durante o lançamento da campanha “Não gaseiem o Sul e não gaseiem a América Latina”. © ONU Mudanças Climáticas – Zô Guimarães. CC BY-NC-SA 4.0.

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